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Os impactos reais do Marketing Jurídico na Gestão Legal (e por que um não sobrevive sem o outro)

by | 06/01/26

Vamos começar alinhando uma premissa básica que muitos advogados ainda ignoram: Marketing Jurídico não é uma ilha. Ele não funciona solto, desconectado da realidade do escritório.

Na verdade, o Marketing é, e sempre deve ser, um dos braços fundamentais da Gestão Legal.

Quando falamos de Gestão Legal, estamos falando da administração profissional do escritório de advocacia como uma empresa. Isso envolve olhar para o negócio de forma sistêmica. E, para quem gosta de organização visual, é fácil perceber onde essas áreas se cruzam e se alimentam mutuamente:

  • Planejamento Estratégico: Define o rumo da gestão e é a bússola mandatória para qualquer ação de marketing.
  • Gestão de Pessoas: É servida diretamente pelo Endomarketing (comunicação interna) e pela definição de metas de produção intelectual.
  • Tecnologia: Softwares de gestão que organizam a produção jurídica são os mesmos que fornecem os dados vitais (CRM) para a inteligência de mercado.

Percebe? Não dá para dissociar. Abaixo, detalho como essa engrenagem funciona na prática.

  1. Planejamento Estratégico: a base de tudo

Todo escritório que se preze deve ter um Planejamento Estratégico. Mas de que adianta um plano lindo, impresso e encadernado, se ele ficar na gaveta?

O Planejamento define onde queremos chegar. O Marketing Jurídico define como vamos comunicar isso ao mercado para chegar lá.

Se a sua gestão definiu que a meta do ano é crescer na área Tributária ou atingir um novo nicho empresarial, o marketing não pode estar postando sobre Direito de Família ou consumidor pessoa física. O marketing sem estratégia é um tiro no escuro. É desperdício de tempo e, pior, de dinheiro.

  1. Gestão de Pessoas, Metas e Endomarketing

Aqui está um ponto nevrálgico. Antes de vender para fora, você precisa “vender” o escritório para dentro. É aqui que a Gestão de Pessoas dá as mãos ao Marketing.

Primeiro, através do Endomarketing. Sua equipe precisa estar alinhada com a cultura e os objetivos da banca.

  • Sua equipe sabe quais são as metas do ano?
  • Os advogados associados conhecem o tom de voz da marca?
  • Todos estão remando para o mesmo lado?

Se a equipe interna não compra a ideia, o mercado também não vai comprar.

Segundo, através da definição de metas. Uma gestão eficiente consegue atrelar a participação da equipe no marketing às metas de desempenho. É perfeitamente viável — e recomendável — estipular metas de produção de conteúdo (artigos, vídeos, palestras) como parte da avaliação do advogado. Isso gera material rico para o marketing e autoridade para o profissional.

  1. Organização e Tecnologia: a inteligência (BI)

Muitos colegas me perguntam como ser assertivo na escolha dos temas. A resposta não está na “trend” do Instagram, está no seu software de gestão.

Um escritório organizado utiliza a tecnologia para gerar inteligência de negócios. É aqui que a gestão alimenta o marketing com dados reais:

  • CRM (Customer Relationship Management): Quem é o seu cliente atual? De onde ele vem?
  • Análise de Portfólio: Quais serviços são mais rentáveis? Quais áreas têm maior taxa de sucesso?

Com essas informações em mãos, conseguimos definir a Persona com precisão e escolher os temas que realmente interessam ao seu público-alvo. Sem dados da gestão, o marketing é apenas intuição. E intuição não escala negócios.

  1. A Profissionalização: quem faz o quê?

Para que essa engrenagem gire, é preciso definir papéis claros no organograma.

No planejamento do escritório, deve existir a figura de um sócio ou gestor responsável por liderar os assuntos de marketing. Esse profissional será o guardião da estratégia interna e a ponte com a execução externa.

E aqui entra um divisor de águas: a contratação de uma agência especializada.

Advogado deve advogar. O tempo do seu time jurídico é caro demais para ser gasto “fazendo arte no Canva” ou editando vídeos. A agência especializada entra para:

  1. Profissionalizar a imagem: garantindo excelência técnica e visual no seu posicionamento digital.
  2. Otimizar tempo: liberando os advogados para a atividade-fim.
  3. Segurança ética: garantir que todas as ações respeitem rigorosamente as regras da OAB, evitando exposições desnecessárias e infrações éticas.

Conclusão: O Impacto é Total !

Voltando à provocação do título deste artigo: sim, os impactos do marketing na gestão (e vice-versa) são profundos e decisivos.

Não adianta ter uma gestão impecável, processos organizados e um jurídico de excelência, se o mercado não sabe que você existe. Da mesma forma, não adianta ter um marketing agressivo e criativo, se a casa não está arrumada para receber o cliente ou se a estratégia não condiz com a realidade do escritório.

Gestão Legal e Marketing Jurídico são faces da mesma moeda. Quando andam juntos, o escritório deixa de ser apenas um prestador de serviços e se torna uma marca sólida e respeitada.

Juliana Pacheco

Membro consultora do CMJ, o Comitê Regulador do Marketing Jurídico do Conselho Federal da OAB, membro julgadora da 7• Turma do TED-MG e da 28• Turma do TED-SP, a primeira Turma do Brasil com competência exclusiva para apreciação da matéria Marketing Jurídico.

 

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